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O “património” que importa valorizar…

Aí está a Superespecial do Rali de Portugal. Mais que uma corrida, é um espetáculo que coloca Lousada no mapa. E o regresso da especial fez-me recordar como tudo aconteceu. Dia grande no Eurocircuito de Lousada naquele domingo de Abril na década de noventa. A moldura humana que enchia o circuito dava-lhe um colorido impressionante, ao qual o sol não quis deixar de se associar. Na pista, as corridas sucediam-se, cadenciadas e muito disputadas, na prova de autocrosse pontuável para o campeonato da Europa, estando presentes os melhores pilotos da modalidade vindos dos quatro cantos do velho continente, com destaque para a “esquadra” checa, a “armada” francesa e os sempre bem preparados pilotos italianos, russos, alemães e holandeses, já para não falar no elevado número de portugueses, com destaque para os Irmãos Ribeiro apoiados por uma enorme multidão. A meio da tarde quando o evento caminhava para o seu final em mais um sucesso organizativo do CAL, encontrava-me na Torre do Circuito à conversa com Nuno Vilarinho, o observador da Federação Portuguesa de Automobilismo. Era a primeira vez que vinha a Lousada e manifestava-se francamente admirado com a espetacularidade da prova e o elevado número de espectadores presentes, um caso raro no desporto automóvel no país. Visivelmente entusiasmado com o ambiente que rodeava o evento, às tantas fez-me uma pergunta que me deixou surpreendido: “Isto é fantástico. Vocês seriam capazes de montar e organizar aqui uma superespecial do Rali de Portugal”? Eu nem queria acreditar no que ouvia porque, depois de consolidarmos a organização das provas do Europeu de Autocrosse e do Europeu de Ralicrosse, levar o Rali de Portugal ao Circuito de Lousada seria “a cereja em cima do bolo”. Assegurei-lhe logo que podia contar connosco e que lhe montaríamos um traçado semelhante ao do “Memorial Bettega”, uma prova organizada para homenagear o malogrado piloto italiano de ralis. Fui logo ter com o Jaime Moura e dar-lhe conta da conversa, tendo ficado tão perplexo quanto eu. Depois, foi uma longa conversa com o Nuno Vilarinho… Passados alguns dias fomos contactados por César Torres, o presidente do ACP, a solicitar que nos reuníssemos em Lisboa para discutir a possibilidade de integrar uma superespecial no Rali de Portugal do ano seguinte a realizar em Lousada, algo que nunca ocorrera numa prova do mundial de ralis. Coube-me a mim “fazer o trabalho de casa”, isto é, o estudo do traçado da especial, que levamos já quando nos fomos encontrar com o homem forte do desporto automóvel em Portugal e no mundo. Muito direto como lhe era peculiar, a reunião foi prática, conclusiva, tendo nós saído dela com o acordo feito, sujeito somente ao parecer final da FIA que nenhum problema viria a levantar (ou não fosse César Torres Vice-presidente…). Mal veio a confirmação de Lisboa, arrancamos com as obras que incluíam a construção de uma ponte (viriam a ser construídas mais duas pontes em novas versões do traçado em anos posteriores), trabalhos esses mais ao cuidado do Jaime já que a preparação da pista era a “sua praia”.

O primeiro ano em que o Rali veio ao Circuito foi de aprendizagem pois, apesar de todos os cuidados que tivemos na organização, não previmos uma coisa: O fluxo de entrada dos espectadores era muito rápido contrariamente ao que era habitual noutras provas, tal como o seria na saída com a pressa de chegarem a outras classificativas. Daí que, quando os dois primeiros carros (os mais bem classificados) se posicionaram na linha de partida, estavam entre mil a duas mil pessoas na fila das bilheteiras para comprar bilhete. Ao ouvirem o roncar dos motores, mais do que o locutor, correram em direção às entradas como um bando de reses em debandada, levando tudo à sua frente e fazendo com que os controladores fugissem para não serem atropelados. Em tudo o mais, foi um sucesso que se repetiria e que atingiria o apogeu quando a especial se realizou na abertura do Rali, provocando a maior enchente de sempre de todas as organizações do clube.

Com a morte de César Torres e apesar de termos um acordo para mais dois anos, vimos a classificativa ser-nos retirada num processo pouco transparente e nada abonatório para o responsável da decisão, retomando-a dois anos depois até ao Rali rumar a sul.

Em boa hora o CAL e a Câmara Municipal se empenharam em fazer regressar a Superespecial a Lousada no retorno do Rali ao norte do país, algo que prestigia o Clube e promove o concelho, muito para além do que podemos imaginar. E eu que o diga pois, tendo estado envolvido na fundação e no crescimento do CAL, nunca tive verdadeira consciência de até onde conseguimos projetar o Clube e Lousada. Só depois de me ter afastado e já à distância, tive oportunidade de encontrar “marcas” pelo país e pela Europa como consequência desse trabalho.

A aposta que o executivo municipal está a fazer para que Lousada possa voltar a ser uma referência no desporto automóvel e com isso alavancar a promoção turística e não só, algo que se desperdiçou no passado, é o caminho certo num tempo em que há que potenciar e tirar partido do património que temos para a promoção e desenvolvimento de Lousada. E o CAL e os eventos de desporto automóvel são um rico património, com bom potencial. Para isso, é importante assegurar a presença do Rali de Portugal pela sua projeção mundial e trabalhar no retorno de outra prova emblemática trazida para o nosso país pelo clube e que lhe foi sonegada por esquemas pouco edificantes. Mas, haja futuro e força nos responsáveis deste “renascer” e que Deus os ajude a recolocarem o CAL e Lousada no lugar onde já estiveram e que lhes é devido.

Se há diferenças? Oh se há…

Ainda me lembro de só haver homens nas repartições públicas e no governo, da generalidade das mulheres serem mães e donas de casa e só algumas terem direito a votar, do tempo em que os direitos iguais entre ambos os sexos eram uma miragem. O homem é “que usava calças” e mandava. O resto, era conversa. Ponto final. Mas tudo foi mudando e hoje há uma grande aproximação sem verdadeira igualdade, apesar da lei, um caminho longo que continua a ser percorrido. Mas uma outra coisa se mantem: O homem e a mulher não são iguais, apesar de alguns terem defendido que sim. Em vão pois, a realidade e, agora, a ciência, comprovam as muitas diferenças entre ambos, especialmente no… cérebro. É que, para já, não existe um cérebro unissexo…

O conhecimento das diferenças é importante porque pode salvar relações, casamentos e … muita loiça. Claro, pois muitos dos nossos conflitos, amuos, zangas, discussões, birras, gritarias e até sessões de pancadaria, resultam desse desconhecimento. Fingir que homens e mulheres são iguais é um mau serviço aos dois, é esconder debaixo do tapete o que os separa. Enquanto nós temos um excelente sentido de orientação, já só conseguimos fazer uma coisa de cada vez. Pelo contrário, se elas pegarem no mapa para nos indicarem o caminho para um certo destino, acabam por nos levar a “cascos de rolha”, algures a mais de vinte quilómetros do local onde queríamos ir. Mas têm um cérebro multifunções. E são “emotivas” que, em bom português, quer dizer “choronas”, com ou sem razão, por tudo e por nada. Quando acontece, ficamos sem saber o que fazer, remetemo-nos ao silêncio até que a “tempestade” passe, enquanto elas esperam um abraço e ouvir repetidamente “amo-te”. Já eles, esperam muito por… “sexo”. Nisto de sexo uma mulher para o fazer precisa de se sentir amada, adulada, acarinhada, envolvida, etc., etc., enquanto um homem só precisa… de um local. “Puxamos as orelhas” ao lençol porque a cama é para desfazer, mas elas esticam-no, alisam e dobram com precisão milimétrica, com rigor doentio, tal como no “complexo de limpeza” de que parecem sofrer todas. Ora, nós só detetamos lixo quando “tropeçamos” nele…

Como a grande maioria dos homens, se estou a ver um jogo ou um filme na televisão, podem dar-me recados ou fazerem-me perguntas a que eventualmente respondo mas de que, certamente, não me vou lembrar, porque as “não ouvi”. O meu cérebro só vê o jogo ou o filme, nada mais. Muitas vezes a minha mulher pediu-me coisas enquanto via televisão e eu acenei com a cabeça e até disse “sim”. Quando questionado se já fiz o que me pediu, “jurei a pés juntos” que não me disse nada. E o maior problema é que não acreditava em mim até porque lhe respondi. E aí estava um motivo de conflito… Aliás, ela nem compreendia a minha “limitação” já que via TV, cozinhava, falava comigo e deitava o olho aos filhos, tudo ao mesmo tempo…

Se fossemos a um restaurante, o mais natural era entrar e sair sem me aperceber de quem lá estava. Já ela, como todas, era capaz de saber o nome dos presentes, o que vestiam (especialmente as mulheres) e de saber do que falavam nas mesas à nossa volta. E, voltamos ao mesmo: Se me perguntasse porque é que não cumprimentei o A ou o B e eu dissesse que “não o vi”, a “coisa podia azedar”. Mas há pior, que nunca me aconteceu (para meu alívio…). A percepção das mulheres é tal que, “detetam à distância” se outra mulher “se atira” ao seu companheiro, ainda que ele esteja “a léguas” de se aperceber dessa manifestação alheia. Logo que estejam a sós, está bom de ver como vai ser a “conversa”, pois a mulher pensa sempre que o companheiro estava “a alinhar” no jogo, embora ele não se tenha apercebido da cena… Aliás, no que diz respeito a trair, regra geral os homens“ não veem um boi” se são “enfeitados” enquanto o “sexto sentido” delas permite-lhes detetar rapidamente se “há moira na costa”.

Quando se encontram, os homens falam de automóveis, negócios, futebol e… “gajas”, enquanto as mulheres falam de moda, filhos e … das outras. Uns e outras, perante um mesmo cenário e no mesmo momento, nunca pensam nem veem a mesma coisa. É como se não estivessem a ver o mesmo “filme”…

Se temos um problema, regra geral não o partilhamos nem sequer falamos dele e tentamos resolvê-lo sem “incomodar” ninguém. Já elas gostam de falar sobre o problema, não para que se lhes dê sugestões (podemos até receber uma resposta “torta” se nos atrevermos a propor uma solução) mas somente para serem ouvidas. E nas compras? Quando querem ir a um centro comercial realizar a “dificílima” tarefa de fazer compras, que homem lhes faz companhia de boa vontade? Quem quer andar de loja em loja ao longo de horas consecutivas e assistir, com resignação e paciência, ao “desmanchar da tenda” perante o olhar desolado dos empregados e à cansativa tarefa (para nós) de “provar” dezenas de peças de roupa ou um número infinito de sapatos, sem que isso resulte numa única compra? É que nós (quase) só entramos numa loja para comprar sapatos ou roupa se a virmos na montra e gostarmos. Caso contrário, nem sequer ousamos entrar.

Temos de concluir que homens e mulheres são diferentes, nem melhores nem piores, tão somente diferentes. E é nestas diferentes maneiras de ver a realidade, de encarar os factos, de observar, que resultam muitos dos conflitos porque cada um acha que o outro está errado, que viu e fingiu que não viu, ouviu e diz que não ouviu, que escondeu algo (que não viu) e não disse nada… Se soubermos que nós e elas, por natureza, vemos, ouvimos, pensamos, sentimos e temos prioridades diferentes, talvez possamos poupar em advogados, médicos, antidepressivos e em… mobília. E conseguir viver melhor em comum, com mais prazer. Mesmo no que está a pensar…

É dos carecas que elas gostam mais?

Foi como se caísse uma bomba quando me disseram que o meu cabelo estava a cair. Fiquei em estado de choque, não queria acreditar: “Vou ficar careca?”, interrogava-me desesperado, tentando imaginar-me com a cabeça sem pelos ainda longe dos trinta anos. Não era fácil “engolir”. Cheguei a casa e “plantei-me” diante do espelho a espiolhar a cabeleira, quase a contar os pelos um a um para ver os que faltavam, mas não cheguei a conclusões. Mais avisado, passei a olhar o ralo do chuveiro e percebi então que eram muitos os “despojos” no final do banho. Como não existiam grandes soluções para a queda de cabelo nem dinheiro para as implementar, recorri aos remédios caseiros. Experimentei lavar a cabeça com petróleo porque, diziam, os trabalhadores das petrolíferas tinham cabelos fortes. Mas foi um fiasco. Recomendaram-me então esfregar o cabelo com ovo batido, com infusão de urtigas e outras receitas caseiras e o resultado foi o mesmo. Até que um dia me aconselharam um dermatologista conceituado, embora de idade avançada. Inspecionou-me a cabeleira e a cabeça com uma lupa, fez-me algumas perguntas sobre a família e deu a sentença: “Vais ficar careca e não acredites em mezinhas porque não te safas”. Com estas palavras fui “desenganado” e mentalizado que, mais dia menos dia, seria careca. O bom resultado desta consulta foi que, a partir daí, encarei como natural a queda do meu cabelo. Para tal, também cheguei a pensar que talvez nem fosse tão mau assim porque podia ficar como o Yul Brynner, um famoso ator de cinema dessa época, careca, que fugia ao padrão dos “bem penteadinhos” de Hollyood. E cá estou eu, careca como ele mas sem a sua fama (e proveito)…

A queda do cabelo é algo quase só reservado aos homens e, por isso, aconselham-se os mais jovens para não gozarem com a careca do vizinho que o seu mal vem pelo caminho. É só uma questão de tempo. A culpa, dizem, é das malditas hormonas masculinas…

Claro que hoje, mal se deteta a falta de duas dúzias de cabelos, vai-se logo a correr aos muitos especialistas na matéria, de onde se sai carregado com shampôs milagrosos e mais umas loções, regra geral caras e mal cheirosas. Às vezes, até parece retardarem a calvície mas, quem tem de ficar careca… fica mesmo e não há santo que lhe valha.

Para aqueles que têm dificuldade em assumir o novo visual, seja com “entradas” ou com uma “coroa”, existem múltiplas soluções desde o tradicional “capachinho” aos “implantes”, numa gama variada de modelos e técnicas de fixação que “disfarçam o melão” e até dão garantia de resistirem à ventania…

A muitos anos de distância pergunto se a minha aceitação “pacífica” do veredicto dado pelo médico teve alguma coisa a ver com a teoria de que “é dos carecas que elas gostam mais”. Como é sabido, nós homens temos sempre o sonho de agradar às mulheres e, como eu não fujo à regra, posso ter considerado que o ser careca seria uma “mais valia” para que esse desejo se concretizasse, como que um “cartão dourado” com direito a prémio. No entanto, depois de muitos anos a “exibir-me por aí” e a dar cada vez mais realce à careca (apesar de nunca a ter “engraxado” nem lhe “ter puxado o lustro”), de a aumentar ano a ano para “ganhar importância”, nunca “colhi frutos” dessa teoria nem senti que fosse a tal “mais valia” para agradar às mulheres. Pelo menos, nunca nenhuma o manifestou…. E andava eu a pensar que com a careca iria “arrasar”!!! Estou desiludido e frustrado, tendo-me já fartado de chorar… Vou até apresentar reclamação contra o autor do slogan, quem sabe, exigir uma indeminização gorda por me criar espectativas falsas… Pelo contrário, a cabeça com pouco cabelo só é motivo de destaque por razões menos simpáticas, como quando ouvimos “oh careca, sai da frente que não me deixas ver o filme…” ou outras do género. Nas pesquizas que fiz sobre a matéria encontrei fundamentos económicos para elas preferirem os carecas: É que estes poupam muito dinheiro em produtos para o cabelo e, assim sendo, quanto menos eles gastam mais sobra para elas…

Quando se fala de carecas, alguns “colegas de visual” usam a desculpa de que “o cérebro é mais importante que o cabelo” e chegam a citar estudos onde se conclui que os homens “descabelados” são tidos como mais dominadores e mais masculinos do que os cabeludos. Sendo mais confiantes, também se diz que têm mais testosterona e, consequentemente, um melhor “desempenho”. Será? Se isto se vier a confirmar, acho que os homens passam a ter um dilema sério pois estarão divididos entre serem bonitinhos com uma farta cabeleira ou carecas “despenteados” mas com “qualidades extra” para a “função”.

Para aqueles que acabam de descobrir que a “floresta capilar” que têm no alto da cabeça está a ser dizimada a uma velocidade mais acelerada do que seria habitual, que a vai transformar num “campo de aviação”, numa “praça de touros” ou até mesmo num “deserto sem vegetação”, o meu conselho é de que não desanimem, nada está perdido. O aviso é de que não terão desconto no barbeiro – o que não se compreende – mas serão muito mais despachados em frente ao espelho. Ficarão mais bonitos… de chapéu. E devem viver felizes, com a esperança de que se cumpra o adágio popular de que “é dos carecas que elas gostam mais”…

A missa de sétimo dia…

Tinha trinta e três anos quando foi a “enterrar”, muito jovem para um homem, muito cedo para o que quer que seja, perante o olhar incrédulo de uns e o choro de outros (especialmente dos credores, daqueles que viram o seu dinheiro desaparecer com ele). Nasceu na Madeira “acarinhado” por um pai trabalhador que viria a falecer quando ele ainda só tinha vinte e oito anos, deixando-o “órfão e perdido” neste mundo cruel. Talvez por isso, começou a ter problemas de “saúde” que a família foi escondendo, não sei se por vergonha (há “doenças” que se escondem pelas mais variadas razões…) ou se com receio de ser “descriminado” pelos portugueses que com ele “trabalhavam”. Os “médicos” que tinham a função de cuidar da sua saúde, diagnosticaram-lhe “doença grave” que exigia uma operação urgente. Acabou por se realizar numa “intervenção cirúrgica” que exigiu uma grande “transfusão de sangue” realizada pelos “médicos” do estado, muito cara por sinal mas que nem se questionou porque seria paga pelos “camelos do costume”. Veio-se a saber tempos depois que tal “operação” não foi suficiente para debelar os “males” de que padecia, acabando por ter uma “recaída profunda” e “morrer” de forma imprevista e fulminante, perante o olhar de espanto dos que com ele trabalhavam. Os seus “restos mortais” e todas as “joias e bens” foram entregues a um “familiar” de nacionalidade espanhola, segundo rezam as crónicas “por tuta e meia”. Não teve direito a “velório”, sendo enterrado em campa rasa para que fosse esquecido o mais depressa possível, o que não tem sido fácil para muita gente que “sofreu na pele” com o seu desaparecimento.

Realizado o “funeral”, “enterrado o corpo” e entregues os “anéis” aos espanhóis, quando se pensava que nada mais haveria para “homenagear o falecido” e nos fizesse relembrar da sua existência terrena “tão cara” para todos nós, um grupo de “cangalheiros” que não tinha marcado presença no “enterro” resolveu “celebrar a missa de sétimo dia” pelo “falecido”, aquele ato onde se fazem todo o tipo de perguntas estúpidas aos familiares ou àqueles que com ele privaram nos últimos tempos de vida, uma forma de fingir interesse por “quem partiu desta para melhor”. A esse ato cerimonial resolveram chamar de “comissão parlamentar ao banco Banif”, uma “missa de sétimo dia” pelo “falecido” que, tanto quando dizem as más línguas, foi “mandado executar” por um grupo de “mafiosos” sediados em Bruxelas, os verdadeiros “donos disto tudo”. A “missa” já vai longa e, ao que parece, está aí para lavar e durar…

Ora, alguns dos que participam nessa “celebração” perguntaram a um dos “médicos” que tratava da saúde do “falecido” depois da morte do seu progenitor, se lhe tinha notado algum problema “físico” mas, aquele foi peremptório ao afirmar que durante o tempo que o teve à sua responsabilidade nunca manifestou sintomas de qualquer “doença”, pelo contrário, diria até que parecia “vender saúde”.

Do “médico” que acompanhou o “doente” a quando da “operação” executada pelo estado e que lhe valeu uma “transfusão de sangue” de muitos milhares de unidades, perguntaram qual seria a razão porque não tivera uma “boa recuperação” como era esperado. Lá foi dizendo, com as lágrimas a correrem pela face que, para ele, a “convalescença” estava a decorrer muito bem até ao momento em que os tais “homens de Bruxelas” o mandaram “abater” sem admitirem reservas nem alternativa, o que lhe provocou um grande choque. Com ar consternado como convém nestes momentos também estava o “chefe da polícia” local, também conhecido por GBP, que tinha como missão controlar o “falecido” e o tratamento” que os “médicos” lhe davam. Acusado na praça pública de ter falhado nessa supervisão (tal como o seu antecessor o foi noutras supervisões, noutras “mortes”, que deram em que fosse “condenado ao degredo” no estrangeiro, mais propriamente em Bruxelas, uma pena que ele suporta resignadamente, com muitas dificuldades e sofrimento…), só se defendeu dizendo “não ter culpas no cartório” e que se limitou a cumprir ordens dos seus “chefes de Bruxelas”, esses sim, uma espécie de “exterminadores implacáveis” que não tiveram contemplações com as dificuldades “respiratórias” do “morto”.

Um dos “familiares” quando questionado sobre as razões porque se escondeu o agravamento da “doença”, timidamente foi dizendo que a principal foi uma “infeção muito grave” que atingiu o “filho” do Brasil, infeção essa que acabou por contagiar o “pai” já fragilizado por outras “pancadas”, provocando estragos irreparáveis em toda a “família” e tendo-o deixado “sem ar”, incapaz de “respirar” sem estar “ligado à máquina”. Ora, como a “falta de ar” é geral, os “donos disto tudo” que comem frequentemente para as bandas da “Grand Place” em Bruxelas, deram ordens para “desligar a ficha”.

E, pergunta-se, como termina esta “missa de sétimo dia”? Como todas as outras celebrações do género: Os “médicos” dão as suas explicações para o agravamento da saúde e morte do “falecido”, escudando-se no “segredo profissional” para não revelarem o mais importante, os “familiares” vão para casa roer as unhas e chorar a herança vendida ao desbarato aos espanhóis e os promotores da “missa” ficam de consciência tranquila porque cumpriram a sua obrigação e fizeram passar a mensagem ao povo de que estão atentos a estas coisas, em defesa de todos nós. E ainda rezarão em voz alta: “Dai-lhe Senhor o eterno descanso”. E nós, em coro, responderemos: Amen.

É assim que qualquer um se “esbarra”…

Numa cidade do interior da Alemanha, o motorista de um autocarro parou a meio do percurso, levantou-se e, dirigindo-se a uma jovem de vinte anos que viajava nos lugares da frente, exigiu que trocasse de lugar ou saísse do veículo. Porquê? Pela simples razão de que o decote dela “ocupava” quase todo o retrovisor, deixando bem à mostra boa parte dos seios e colocando em risco a segurança do autocarro e passageiros. É que, o condutor em vez de ter os olhos na estrada só tinha olhos no retrovisor… Chocada, a visada foi apresentar uma reclamação na transportadora mas esta apoiou a decisão do condutor pois, segundo os regulamentos da empresa de transportes, em nenhuma circunstância os motoristas podem ser “distraídos” durante o exercício da função. Para um correspondente da BBC, o comportamento do motorista reforça a reputação dos profissionais alemães, considerados bem treinados, altamente disciplinados e preocupados com a segurança. Pois é, o homem já não estava seguro de si, de resistir à tentação de pôr “um olho na estrada e outro no decote”, se é que já lá não tinha os dois…

O decote pode ser uma arma poderosíssima para a mulher, sendo capaz de lhe conferir charme, encanto, presença, sedução e… poder, o poder de subjugar os olhos, os pensamentos, os desejos, os sonhos e sentimentos dos homens se usado convenientemente. E há para aí muita mulher que o sabe usar com “conta, peso e medida”. Pela sua importância para a mulher (se bem que é também “muito importante” para o homem, mas por outras razões), é objeto de estudos e investigações, existindo inúmeros especialistas na matéria para aconselharem quais os indicados em função do corpo e da ocasião. E tem de ser porque existem decotes em V, traçados, em V aberto, em V profundo (estes são sem dúvida os mais ousados e, por via disso, os mais perigosos, pois descem até um pouco antes do umbigo, havendo mesmo os que passam alguns centímetros abaixo desse “pequeno furo do corpo humano” se bem que, por todas as razões de segurança, nunca devem permitir que se “vislumbrem as Cataratas do Niagara”…), em gota, quadrados, redondos, à barco, em coração, cai cai, princesa, assimétricos, em coração, um sem fim de modelos. Daí a importância da escolha certa para poder exalar o poder persuasivo e insinuante que só um corpo feminino pode fazer.

Sobre este tema acho muito interessante um artigo de autor desconhecido, de que me permito transcrever algumas passagens: “O decote de uma mulher tem algo de mágico, de intensa feminilidade e fulgurante beleza. Não importa o tamanho ou formato dos seios, decotes simples enfeitiçam. Os decotes são instigantes, prometem, escondem, tentam e simplesmente fisgam os homens como se fossem moscas no mel mas que, na realidade, são cartões de visita, os verdadeiros cartões de visita da beleza de uma mulher. O decote produz curiosidade e mistérios. Deixa na cabeça do homem uma adorável dúvida sobre o que vai encontrar com o que puder ser mostrado. E então, começa a imaginar. E é aí que está a graça…

…O decote tem um quê diferente, uma coisa que se destaca, que atrai e desperta paixões. E como são misteriosos! Independentemente do tamanho ou do formato, como existe mistério nos decotes! E conversando com amigos sobre decotes, procuramos classifica-los segundo a nossa visão masculina… Existem os decotes inocentes, os puros, os estonteantes, os embriagadores, os atrevidos, os vulcânicos, os pagadores de promessas, os enganadores, os magníficos, os deslumbrantes, além dos que são extremamente apropriados para se esconder chaves e bilhetinhos com números de telefone… A verdade é que, vamos confessar, acidentalmente ou não, decotes fazem bem à saúde dos homens”…

Há alguns dias um amigo bastante mais novo do que eu, confessava-me que se sente cada vez mais constrangido ao conversar com algumas mulheres, por não conseguir olhá-las nos olhos enquanto se falam. É que os seus olhos, por poderes que não consegue controlar, desviam-se e vão fixar-se no decote sempre que é apelativo e tem “magia”… E só sai do “transe” quando ela faz um gesto de quem tenta tapar o peito. Como eu o compreendo…

É verdade que, regra geral, os decotes não são inocentes e visam sempre fazer com que a mulher se sinta mais bonita, mais satisfeita com o seu corpo e o seu visual. E não são apenas uma maneira de seduzir, de sensualizar, mas também de impor presença, gerar confiança, chamar a atenção dos homens e a inveja das mulheres, marcar território, enfim, uma infinidade de propósitos e às vezes até sem propósito nenhum. O decote, para além de revelar o estado de alma e a personalidade da mulher, pode “revelar dois mundos” iguais, “empertigados” na juventude, mais “caídos” com a idade (se bem que não faltam técnicas para os “erguer” de novo), umas vezes separados por extenso “vale” outras “esmagados” um contra o outro como se lutassem por espaço para sobreviver, revelando mais promessas do que as de “político em campanha eleitoral”. Os “tais especialistas” dizem que quando o decote desce a saia deve-o acompanhar, descendo. No entanto, há mulheres que em simultâneo fazem baixar o decote e subir a saia, um caminho que só vai terminar quando os dois se encontrarem. E então, nada mais haverá para “revelar”…

Está provado que o decote “provoca” e, por isso mesmo, provoca inúmeros “acidentes” ao “ofuscar” os olhares masculinos com o seu “brilho”, acidentalmente ou (quase sempre) não. E estou a lembrar-me de uma jovem verbalizar o seu interesse num rapaz tímido: “Vou fazer tudo para este nabo cair”. E fez, usando o decote como “argumento” de peso… Está claro que ele teve um “acidente fatal”… Como resultado de “estudos profundos” que tive sobre esta matéria e para que nenhum homem seja “apanhado” com os “holofotes focados num decote e em bloqueio total”, feito criança de olhos arregalados no brinquedo desejado, só me resta deixar um conselho amigo para os salvar desse embaraço: USEM SEMPRE ÓCULOS ESCUROS…  

Tudo não passa de uma grande hipocrisia…

Nos últimos dias tenho andado triste e até um pouco deprimido porque, ao contrário daquilo que eu desejava, o meu nome não foi mencionado como tendo conta bancária no Panamá, um dos paraísos fiscais onde qualquer cidadão comum desejaria também ter uma, sobretudo se for das “gordas”. Ainda esperava que entre os onze milhões e meio de documentos sacados à Mossack Fonseca aparecesse um só, um simples documento, comprovativo de que eu dispunha de “uma conta calada” num dos bancos daquele país e que os jornais e televisões de todo o mundo me anunciassem como detentor de dois mil milhões de euros, tal e qual o violoncelista russo… Ora, se um simples “tocador de rebeca” pode ter uma conta com tantos zeros à direita da vírgula, porque é que eu, um simples “tocador de campainhas de porta”, não pode ter também uma? Ver o meu nome a servir de título nos jornais e revistas e a abrir os telejornais das nossas televisões alimentava-me o “Ego” como ninguém imagina… A minha “cotação” subia no “mercado” não só em termos mediáticos mas também como homem de valor ou, mais propriamente, como “homem de valores”. Claro que teria também o reverso da medalha, expresso no tamanho da inveja… E, como consequência disso, seria acusado de todas aquelas coisas que se dizem de alguém que tem muito dinheiro como “anda a vender droga”, “faz parte de uma rede de tráfico de armas”, “pertence a um bando de ladrões” ou “é dinheiro de corrupção”, mesmo que não me conhecessem de lado nenhum nem soubessem o que fiz nem o que faço… Se fosse possível fazer uma sondagem aos meus detratores esta revelaria que 99,9% deles falavam por inveja pois, bem latente no seu íntimo, estaria o desejo secreto de serem eles os donos de tal conta. Olha se não…

Bom, também devo reconhecer que teria uma percentagem razoável de gente que me apoiaria com frases “motivadoras”, capazes de me animar e “levantar a moral”, algo como “aquele é que foi esperto”, “roubou-o em bom tempo” ou “se soube roubá-lo, melhor soube guardá-lo”. Como se compreende, ao ouvir e ver estes comentários “tão favoráveis” o meu coração enchia-se de amor e confiança na “humanidade”.

Se a muita publicidade ao meu (bom?) nome fazia crescer vertiginosamente a mediatização da minha imagem, isso seria efetuado muito à custa do grande sacrifício por ter de aturar o “enxame” de jornalistas acampados à porta de casa, tentando “sacar” umas fotografias ainda que de relance, registando qualquer palavra ou “rosnar” que eu proferisse por “atravancarem” o caminho e me impedirem de entrar ou sair e lutando entre si para que lhes concedesse uma entrevista exclusiva, um “furo jornalístico”.

Mas os dias vão passando e, apesar de irem revelando mais um ou outro nome, a “conta-gotas” (e a nossa coscuvilhice crónica precisa de ser alimentada, para além de “gulosarmos” com a queda de “figurões”), o meu nome não é anunciado para meu desespero…

Desejos à parte, a revelação dos “papéis do Panamá” não acrescenta nada de novo ao que já se sabia sobre “paraísos fiscais”, para além de trazer à luz do dia alguns (poucos) nomes de figuras públicas “insuspeitas”, entre um “reduzido” número de documentos se tivermos em conta que se referem a um único escritório entre milhares dos que se dedicam a tal atividade. Na lista está metida a gente mais diversa desde honestos e desonestos, políticos e traficantes, empresas reais e virtuais, ladrões e assassinos, empresários respeitáveis cumpridores da lei e golpistas ou caloteiros, uns exercendo atividades legais e outros vivendo à margem da lei. Mas tudo está no mesmo saco, todos são medidos pela “mesma bitola”… E então, por esse mundo fora a começar pelo nosso, assistimos a discursos inflamados de “virgens puritanas” que só o são porque não tiveram a oportunidade de “pecar” ou porque ainda não lhes foi “descoberta a careca”, cantando hinos à “transparência” que tanto defendem mas que bem no seu íntimo não desejam. Em suma, a hipocrisia do discurso politicamente correto… A vida é injusta? Claro que sim, quem o pode negar? E o mundo? Nem se fala… Se dentro de alguns países existem regiões ou estados com um sistema fiscal absolutamente diferente, desigual e injusto, paraísos fiscais num lado e alta carga tributária noutros criando disparidades e concorrência desleais internas, se dentro da União Europeia tal também acontece fazendo com que os capitais e as sedes de empresas se mudem para os “mais interessantes”, como é que alguém pode exigir a outros países e outras regiões que acabem com a sua condição de paraíso fiscal em nome da transparência e da equidade se nem sequer a defendem em sua casa? É que os benefícios de um verdadeiro paraíso fiscal são bem visíveis na qualidade de vida dos seus habitantes e o resto é conversa. Quem a quer perder? Será que a Suíça atingiu um elevado nível de vida só pela qualidade dos seus chocolates? Porque foi que a Jerónimo Martins (Pingo Doce) mudou a sua sede para a Holanda? Por causa das tulipas? Os paraísos fiscais são um mal que se contesta mas que os políticos não querem que acabe, até porque é um lugar onde a maioria sonha ir parar um dia… E só será justo se fecharem em simultâneo porque “ou há moralidade ou comem todos”… E quem não quer continuar a comer? Era necessária solidariedade entre nações, mas não nos iludamos, não existe.

A revelação dos “papéis do Panamá” foi um percalço que vai ter custos para uma minoria, um “acidente no percurso” dos paraísos fiscais. Seria bom que acabassem? Claro, como seria bom que os nossos impostos fossem mais justos, que se penalizasse menos quem trabalha, quem produz riqueza, como seria bom que… O caso é bom para a imprensa (vai dar para um ano ou mais), para alimentar a coscuvilhice e a inveja e para mostrar como funciona um mundo a que só uma minoria tem acesso. E pouco mais. Tudo o resto não passa de uma grande hipocrisia… Eu não tenho ilusões.

Mas, cá para nós que ninguém nos ouve, continuo a ter esperança de um dia destes ver o meu nome “esparramado” na imprensa, com um “valor obsceno” à frente… E, como qualquer um que vive no “paraíso”, estarei a “borrifar-me” para a Inveja…  

Há falta de “peças” na “oficina”…

Ontem estava bem disposto a falar com o Paulo quando senti uma dor intensa sobre a anca do lado esquerdo, que foi subindo até se localizar na zona renal. Esperei para ver se era passageira mas continuou com alguma intensidade, provocando-me suores frios. Como estava no Hospital de Lousada, só tive de descer ao Serviço de Atendimento Permanente (SAP) para a médica de serviço me observar e pôr a soro. O que se passou? Nada mais nada menos do que acontece a um automóvel com muitos anos de idade: “Problema mecânico”.

Quando o “carro” é novo, não há mal que lhe pegue. É só meter “combustível” e temos “máquina” para ir a qualquer lado. O “motor” tem “potência” mais que suficiente e resiste a todos esforços, mesmo se exagerados. Se no princípio temos muito cuidado para não “riscar” a “pintura” nem sujar os “estofos” e mandamos fazer as “revisões” recomendadas pelo “fabricante”, com o tempo as preocupações são outras e acabamos por descurar esses cuidados, assegurando-lhe somente a “manutenção” mínima obrigatória, para além do “combustível” indispensável sem o qual não trabalha.

Ao entrarmos na adolescência pode-se dizer que completamos o período de “rodagem”, atingindo então a “potência” máxima que nos permite “voar” sobre a estrada da vida feitos fanáticos da velocidade. E nessa loucura de quem sai da adolescência, muitas vezes entramos com “excesso de velocidade” numa “curva” apertada da via ou da vida, fazendo o “veículo” derrapar e deixar a borracha agarrada ao asfalto, quando não se parte um “amortecedor”, amolga a “chapa” ou desfaz uma “roda” contra um qualquer obstáculo. É o tempo de abusar do “carro” e experimentar os limites, com alguma irresponsabilidade à mistura.

E, nesse período de euforia, quem não gosta de alindar o “carro” com umas “jantes especiais”, um espetacular “aileron” traseiro ou uma “faixa colorida” para lhe dar um ar mais desportivo e o mesmo é dizer com uns “pneus” da Nike , um “penteado” especial ou uma “pulseira de diamantes”? É o tempo do exibicionismo, da competição entre “automóveis”, da conquista do mundo.

Depois, o “carro” entra em “velocidade de cruzeiro” carregando a família de um lado para o outro, sujeito a pequenas avarias que podem começar pelos “faróis” quando reduzem a “visibilidade”. Entretanto, vão aparecendo “amolgadelas” na “carcaça” resultado das “batidas do tempo”, normalmente mais visíveis no “para-choques” da frente, tendo de ir ao “bate-chapas” para “alisar a pele” e renovar a “cor e o visual” com nova “pintura”. (A este propósito há dias, logo pela manhã, tocou a campainha da porta e fui atender. Quando entrei em casa a minha mulher, contrariamente ao que é habitual, chamou-me e perguntou-me: “Quem era”? E eu disse-lhe que era o carteiro. “E o que queria ele”? Respondi-lhe que queria entregar uma carta. “De quem é a carta”, continuou a perguntar? Acrescentei que era relativa a um condomínio. “Mas o que tens tu no condomínio” insistiu. Tive de lhe dizer que era uma loja, já admirado por estar a dialogar tanto, nada habitual. “Mas o que é que tem na loja?”, quis saber. Disse-lhe que estava lá uma esteticista. E a resposta dela calou-me: “Ah, é onde fazem restauros…”)

À medida que os anos vão passando aumenta o número de idas à “oficina” quer para as “manutenções de rotina” com o recurso a “exames” e “análises” à “máquina”, quer para “reparações extraordinárias” necessárias para recuperar os “estragos” resultantes de “acidentes” ou do desgaste de “peças” devido ao uso. É através dos “exames” que se verifica se as “longarinas” estão “tortas”, se o “motor” trabalha com a regularidade de um relógio e até mesmo se o “computador” que comanda os órgãos do “carro” está afinado. Com o desgaste de alguns “órgãos” é normal que o “motor” perca “potência”, pelo “escape” saiam mais gases tóxicos com “ruídos sonoros”, os “rolamentos gripem” e o “carro” tenha de recolher à “oficina” ao cuidado dos “mecânicos”, que lhe proporcionarão os cuidados necessários à sua “recuperação” para voltar à “estrada”. Mas com o peso da idade algumas “peças” importantes começam a falir e dão sinais de que precisam de sofrer grandes “reparações”, quando não de ser substituídas. Aí vem ao de cima a preparação técnica dos “mecânicos”, indispensável para que a “operação” tenha sucesso com rigor “cirúrgico”. É dessa forma que se abre e repara o “motor”, substituem “válvulas”, extraem “corpos estranhos”, emendam “peças” fraturadas, voltam a pôr em funcionamento “dobradiças” presas pela “ferrugem”, em suma, “desmonta” e volta a “montar” a “máquina”, com um grau de dificuldade acrescido pois tem de estar em “funcionamento”. É que, se para, vai diretamente para a “sucata”… O grande problema é conseguir “peças” para “substituir” as que “deram o berro”. Já se fabricam algumas em separado mas, as principais, têm de ser retirada de “carros” que deixaram de funcionar antes de serem enviados para o “sucateiro”. E, para aumentar a dificuldade, há os “carros” que têm documento a proibir que lhes tirem “material”, como se viessem a precisar dele. O que é um desperdício quando há tantos “carros” a precisarem (alguns deles tão novos!!!), quando há tanta falta de “peças”…

Fechados dentro de nós…

Sentado no jardim, olho os muros que me rodeiam e me fazem sentir prisioneiro na minha própria casa. Não eram assim quando a construi pois até o portão para o carro não passava de uma cancela baixa, feita de tábuas estreitas, separadas, por onde passavam cães e gatos, quase sempre aberta de par em par. Aberta ficou por longos anos até me cansar dos abusos, de me entrarem por lá dentro com o carro para darem a volta… em cima do relvado. Por causa dessa e de outras, desapareceram as cancelas de madeira para dar lugar a portões de ferro mais altos e, com eles, subiram os muros…

Ao pensar nestas “muralhas” que criamos, regresso à infância e vejo-me a correr livre pela aldeia, onde também havia muros, mas pequenos, para marcar os limites da propriedade e protege-la dos animais. Era com cancelas velhas de madeira que se fechavam as entradas, com um “trambelho” como fechadura. Muros altos, vedações altas, eram prerrogativa de “fidalgos” para manterem a “plebe” à distância e se “fecharem” na sua importância…

A porta da cozinha da casa dos meus pais estava sempre aberta ou, simplesmente encostada, apesar da chave ficar na fechadura, chave que mais parecia um adereço. Mas não acontecia só na casa dos meus pais. Em toda a aldeia, as portas de entrada permaneciam abertas pois ninguém tinha preocupações de segurança, nem sequer de proteger bens e pessoas. Todos confiavam em todos.

Podia-se deixá-la “escancarada” o dia todo que não entrava ninguém para roubar. O sossego da aldeia só era quebrado pelas conversas dos homens e mulheres à porta das casas, pela gritaria e gargalhadas das crianças nas suas brincadeiras, pelo “bom dia” ou “boa tarde” de quem se cruzava a cumprimentarem-se, pelo ladrar dos cães, o cacarejar das galinhas, o chiar das rodas dos carros de bois carregados de mato. Na aldeia conhecíamos toda a gente e sempre que um estranho aparecia por lá, era logo sinalizado, controlado pelos olhares de curiosidade (e de coscuvilhice) dos vizinhos até identificar o “intruso”, de onde era e ao que vinha.

Os vizinhos conheciam-se, eram da família mesmo que o não fossem, faziam parte das nossas vidas porque se podia contar com eles sempre que fosse necessário. Fosse a ajudar num parto ou na sacha do milho, a oferecer couves do seu quintal ou a “dar uma mão” na vindima, a vida da aldeia tinha muito de comunitária, de ajuda mútua, com o sentimento de que “pertenciam” uns aos outros . Até nós, crianças, éramos “vigiados” por muitas mulheres porque cada uma delas tinha um pouco de “nossa mãe” sempre que fosse necessário proteger-nos ou controlar-nos. Por tudo isso, não existiam “muros” entre vizinhos, entre habitantes da mesma aldeia. Só os “fidalgos” se podiam dar a esse “luxo”…

Mas, mudaram os tempos, mudaram as pessoas e as relações entre si, mudaram os valores e, à medida que a sociedade “evoluiu” e se foram construindo novas casas, mais e mais modernas, os “muros” foram subindo, subindo, alegadamente em nome da privacidade e da segurança e, porque não, da importância. Os vizinhos foram sendo afastados aos poucos, olhados por cima dos “muros” até deixarem de ser vistos, quando não ignorados, perfeitos desconhecidos que nem se cumprimentam. Nos prédios de habitação coletiva nem se sabe quem mora na porta da frente ou do lado, ignora-se quem entra, sai ou “viaja” connosco no elevador, sem um “bom dia”, um “olá” ou um simples aceno com a cabeça. Será só porque temos medo? Será que vivemos prisioneiros dentro das nossas casas ou dentro de nós mesmos e não queremos partilhar a vida com os nossos semelhantes, com aqueles que nos rodeiam com medo de nos “expormos” e de mostrarmos a nossa “nudez”, o nosso egoísmo e a nossa própria solidão?

Na minha infância, as pessoas sentavam-se à porta de casa ao entardecer e ficavam a conversar com os vizinhos sobre as suas vidas, os seus problemas, “despindo-se” de preconceitos, de egoísmo e de falsas privacidades. Claro, com isso toda a gente sabia da vida de toda a gente, com as vantagens e inconvenientes próprios dessa informação global que alimenta a “coscuvilhice”. Era a fatura que se pagava por pertencer a esse mundo comunitário. Em contraponto, nas cidades e grandes urbes as vidas passaram a ser impessoais, verdadeiramente anónimas, tendo-se a “vida privada” preservada mas perdendo-se a “rede de vizinhança” que estava sempre presente para ajudar ao primeiro grito de alerta, pedido de socorro ou sinal de alarme. Mas esse “isolamento” não se ficou pelas grandes cidades pois, pouco a pouco, foi chegando às vilas e aldeias do país, fazendo com que se construíssem muros, muitos muros, reais e virtuais, cada vez mais altos, cada vez mais desencorajadores. Até porque pensamos que assim estaremos mais seguros… Mas será que estamos? Ao que parece, não – estava a ver há instantes na televisão as imagens de uma casa particular rodeada de muros, arame farpado e portões altos, câmaras de vigilância e até guardas, mas nem isso a livrou de ser assaltada, mesmo com os proprietários lá dentro.

Como diz Moita Flores, temos de voltar a criar a “rede de vizinhança” conhecendo os vizinhos, os seus carros e filhos, ter os seus contactos, para sermos os olhos e os ouvidos uns dos outros, ainda que não sejamos visitas de suas casas. E, sobretudo, eliminar os “muros” que nos separam e construir as “pontes” que tanta falta fazem… Seremos capazes de recuperar essa riqueza???

Gerir o que é de todos custa a quem?

A gestão dos dinheiros públicos deveria ser a mais difícil, a mais criteriosa, a mais cuidada e a mais responsável, fosse ela de um ministério ou de uma junta de freguesia, de um instituto ou de uma empresa pública, enfim, de qualquer entidade que seja suportada com o dinheiro dos contribuintes, o nosso dinheiro. Infelizmente na nossa história e, em especial na recente, o país é pródigo em casos que comprovam o contrário, que afinal é “muito fácil, mesmo muito fácil” e está acessível a qualquer “pilha galinhas”, fazer um “figurão” a gerir o dinheiro de todos. É que, (quase) não há responsabilidades no exercício de tais funções e os donos da massa, os portugueses, já nem perguntam se foi bem ou mal aplicada, em que é que foi “esbanjada”, pois já lhes saiu do bolso e lá não voltará. Só alguns ousados polícias, procuradores e juízes se vão batendo ainda contra este sistema de “não gestão” e de “impunidade”, remando contra a maré, mas até esses se devem cansar ao serem alvo de quem os devia proteger…

Todos conhecemos empresas públicas sustentadas com o nosso dinheiro onde a “gestão” deixa muito a desejar, sem que os gestores sejam penalizados e responsabilizados pelos seus atos porque nós, os “camelos”, cá estaremos para pagar a fatura. E são tantas as faturas… Esta conversa foi só para me fazer regressar ao tempo em que era um dos responsáveis do Clube Automóvel de Lousada e da organização de muitas provas e eventos desportivos que mereceram a adesão de milhares e milhares de espectadores, um dos principais indicadores de que os objetivos haviam sido alcançados. Para que a adesão dos aficionados fosse grande, fazíamos questão de apostar forte nos meios de comunicação social – o que nem sempre era fácil por sermos um Clube regional – não só para a promoção dos eventos como para os fazer chegar ao maior número de pessoas possível. E se não descurávamos nenhum órgão de informação, a verdade é que a nossa grande aposta, especialmente nas provas mais importantes, era na televisão, quer nas transmissões diretas quer na sua inclusão nos programas desportivos.

Considerando a importância das provas que faziam parte dos Campeonatos da Europa de Autocross e de Ralicross, fizemos sempre um grande esforço para conseguirmos que tivessem transmissão em direto, concretizando alguns acordos com a RTP enquanto foi possível. Foi dessa forma que as imagens televisivas a partir do Eurocircuito levaram o nome do Clube e o de Lousada aos quatro cantos do país e até da Europa através do Eurosport. E tudo correu sempre bem, excepto numa prova de Autocross. No momento em que se deveria iniciar a transmissão houve uma avaria nos “feixes” e o programa não foi para o ar. Apesar dos técnicos terem feito um grande esforço para reparar a avaria, o certo é que a corrida se desenrolou do princípio ao fim sem passar na televisão. Que desilusão a nossa… Quando eu e o Jaime Moura abordamos o realizador Tomé no camião da RTP para percebermos o que se passara e saber se era possível exibir a reportagem noutro dia ele, muito cordialmente, respondeu-nos: “Não sei e já não é comigo. Sei dizer-lhes que temos aqui duas horas de gravação excelente, que dão um ótimo programa. Aconselho-os a falarem com o Adriano Cerqueira”. Ora, esse “senhor” era o “manda chuva” da RTP na altura e estaria no Salão Automóvel no fim de semana seguinte, a decorrer na Exponor. Por isso, lá fomos falar com ele a Matosinhos ainda antes da abertura da exposição. Explicamos-lhe o que acontecera e pedimos para ver se era possível transmitir a gravação. “Não, passou à história” respondeu com alguma rudeza. Insistimos e, apesar dos vários argumentos por nós invocados, manteve a negativa.

Já farto da sua prepotência e arrogância, o Jaime disse-lhe: “Vocês fizeram a transmissão da Rampa da Falperra e, quando houve um acidente, permitiram-se continuar a transmitir mostrando somente árvores, publicidade e a estrada com a corrida parada durante duas horas, sem passar um único carro. E agora, não podem gastar uma ou duas horas de “ tempo de antena” a transmitir a nossa corrida, que tem carros em competição o tempo todo”? Com uma “grande lata”, não teve vergonha de responder: “Que quer? É que eu sou de Braga e pertenço à comissão organizadora da Rampa da Falperra”. Apesar de não querermos acreditar no que estávamos a ouvir, o Jaime ripostou em desafio: “Sendo assim, aceita fazer parte da nossa comissão organizadora para que tenhamos assegurada a transmissão televisiva na próxima prova”? O sorriso cínico aflorou-lhe no rosto quando rematou a conversa: “Não meus amigos, já faço parte de uma. Arranjem outro Adriano Cerqueira…” e virou-nos as costas.

O triste de tudo isto é que andou uma equipa da RTP que chegou a ser de quase oitenta pessoas (eu disse OITENTA PESSOAS…) a trabalhar durante quatro dias para que, o fruto do seu trabalho “pronto e empacotado”, fosse simplesmente atirado para o caixote do lixo por quem “geria o que é dos outros”… É que o “dinheiro” jogado fora não era dele mas dos contribuintes, de todos nós. Assim, “gerir é fácil”… mas, para nós, muito “difícil de (di)gerir”…

À distância de um abraço…

O melhor local para o reencontro de velhos amigos é sempre à volta da mesa, de uma “boa mesa”. Mesmo que seja uma mesa simples, tosca, de bancos corridos, como era o caso. Não fomos muitos nem poucos, fomos cinco ao encontro do João Maria que não via há muitos anos e “acampamos” na mesa de bancos corridos para “embrulhar” a feijoada e os rojões no enorme “rolo” de conversa que era preciso pôr em dia. E as quatro horas que dedicamos à “função”, entre garfadas de comida e uns goles de vinho da região, foram manifestamente insuficientes, até pelo “esforço” que é preciso para “desenterrar” recordações antigas de momentos vividos em comum, já cobertos com camadas e camadas de muitos outros. À mesa estávamos três dos quatro elementos daquela que, eventualmente, terá sido a primeira “banda” do Vale do Sousa – o quarto, o meu irmão António, esteve “presente” apesar de “ausente” do nosso convívio já lá vão algumas décadas. Para além dos “músicos”, estava o nosso “pseudo empresário” (a sua “função” era mais propriamente outra), o apresentador ocasional do espetáculo que demos na antiga sala dos Bombeiros de Lousada e um outro amigo de sempre.

Deitando um olhar à volta da mesa descobri que continuamos a ter muitas coisas em comum, embora já não sejam as mesmas de outrora. Agora, comuns são os cabelos brancos ou as carecas, as “dilatações abdominais” a que alguns preferem chamar “peitos descaídos”, as cangalhas penduradas no nariz para ver ao perto, as dores de costas, nas articulações e nos ossos em geral que nos conferem poderes especiais de “previsões meteorológicas”, os esquecimentos e a “dificuldade de chegar às recordações”, “o peso do tempo” (não sabia que o tempo pesava…). Mas estas “novas” coisas em comum foram encaradas com humor, oportunidade para nos rirmos de nós próprios.

Remexemos no passado e lembramos a estreia do “conjunto” em casa da D. Palmira Meireles, com as violas e o amplificador que o Nelo trouxera da Alemanha, acompanhados pelo Zé Melo na bateria do Quim Valinhas comprada em segunda mão (não esteve presente neste “muro de recordações” mas não escapa na próxima para nos contar a sua versão do dia em que também atuou cantando “o jangadeiro”, apresentado pelo João Maria como “o homem da voz caliente”). Demos uma passagem por algumas das atuações em salas de baile da região – ainda nem se sonhava com as discotecas e as meninas só podiam ir a bailes acompanhadas dos pais – com destaque para o conceituado Clube dos Fenianos, no Porto. Relembramos os espetáculos no salão dos Bombeiros de Lousada, os “artistas” locais improvisados que participaram entusiasticamente e os “acidentes” ocorridos antes e durante as atuações, motivo para nos deixar muito nervosos na altura, motivo para nos rirmos agora. E trouxemos à conversa a “sala de ensaio improvisada” na casa que fora do senhor Adriano Neto, à espera de ser demolida para construírem o futuro (hoje, atual) palácio da justiça de Lousada, que aproveitamos durante algum tempo não só para ensaiar mas também para fazer umas farras. E falou-se das atuações no Grande Hotel da Curia, das moças de então, dos namoricos, da dança e o “corpo a corpo” tantas vezes travado pelo braço delas contra o nosso peito, os olhares vigilantes e (quase) sempre reprovadores das mães, os bailes em casas privadas com “copo de água” (os “comes”, só por si, já eram um luxo), enfim, um mundo de recordações. Compartilhamos aspetos mais íntimos e importantes, na certeza de compreensão mútua porque, com um velho amigo só se tem de ser autêntico, podendo-se falar de tudo o que nos vem à cabeça pois essa amizade não se baseia na perfeição mas no respeito e compreensão. Rachamos lembranças e recordações, alegrias e tristezas, emprestamos tempo e palavras, demos calor. Partilhamos dores e silêncios, festas e sorrisos com os sucessos de uns e de outros.

Amizades antigas ajudam a espantar a solidão, as agruras da vida e, especialmente, a velhice, até porque a amizade é como o vinho: Quanto mais velho, melhor. Velhos amigos são parte da nossa história, uma mais valia feita de bons e maus momentos que nos fizeram crescer, com quem partilhamos lugares e tivemos experiências que não queríamos que acabassem. Viajamos juntos por mais ou menos tempo, saltamos obstáculos, vivemos dificuldades, subimos e descemos os “montes da vida”, juntos corremos ou abrandamos conforme a “estrada”, descobrimos o mundo e os prazeres da vida até que um dia, na bifurcação, cada um seguiu o seu caminho. O reencontro, mais do que a saudade de rever os amigos, é a necessidade de (re)viver tudo outra vez, uma forma de regressar ao nosso interior, à tranquilidade do porto de abrigo.

Ao reencontrar velhos amigos temos, mais do que nunca, a percepção de como o tempo passou depressa, como o “outro tempo” nos está tão distante, como as recordações se esbatem quais fotografias antigas apagadas pela ação do tempo. Velhos amigos são mensageiros da juventude para nos lembrarem o quanto já caminhamos e, ao reencontrá-los, sabemos que nada mudou entre nós, ficando com o sonho, quando não a ilusão, de fazer com que a vida não nos volte a afastar e nos mantenha por perto, como no passado, esse passado de que, felizmente, guardamos mais e melhor os bons momentos. Ou não fôssemos jovens sonhadores…