Monthly Archives: February 2014

Optou pela vida e por ser feliz…

 

Na vida, não importa a partida nem sequer a chegada mas sim a caminhada e a forma como caminhamos, até porque começamos e acabamos solitários e nus. E ao longo dessa caminhada usufruímos de uma imensidão de coisas que não valorizamos no dia a dia, porque as consideramos adquiridas, naturalmente, e de cuja real importância só nos apercebemos quando nos faltam, como o abrir uma torneira e termos água corrente, o fazermos da noite dia com o simples click de um interruptor de eletricidade, termos um corpo e mente sadios, sem limitações.

Nessa caminhada, se alguns sofrem por terem limitações físicas ou mentais, de nascença ou resultantes de acidente ou doença grave, há quem não as tenha (muitas vezes aparentemente) mas possa ter sentido a dor de ser maltratado, negligenciado, abandonado, de ter uma família desestruturada, ter perdido os pais ou os irmãos ou passado por outras experiências difíceis, cada uma pior que a outra.

O sofrimento é universal e terrivelmente cruel mas, mesmo nos locais onde ele é mais impiedoso, há pessoas que sobrevivem, prosperam, são felizes, alegres e cheios de fé. Ao ver certas imagens, interrogo-me como é possível que crianças tão pobres ou tão doentes ainda possam sorrir.

Hoje penso naqueles que têm uma deficiência, uma doença crónica ou degenerativa e nas diferentes formas de como lidar com isso. Às vezes, erradamente, pensa-se que quem está nessa situação deve ser uma pessoa zangada, introvertida, parada, irritada, para além de deprimida e solitária. É que ninguém escolhe ter uma deficiência ou uma doença grave. Mas pode, apesar disso, escolher viver sem que essas limitações físicas sejam a razão principal da sua vida. E, se escolher ser feliz, tudo é mais fácil e o “fardo” fica mais leve.

Não há dúvida de que a vida muitas vezes parece cruel, quando as marés de azar se sucedem umas às outras e não conseguimos enxergar uma saída, por mais estreita que seja. No entanto ela existe, mas depende de cada um de nós: Se ficarmos sentados à espera que aconteça, não sairemos do lugar e nunca a encontraremos. Temos de nos levantar, sacudir o pó, abanar a vida e seguir em frente.

Muitas das pessoas com limitações físicas dão-nos grandes lições ao descobrirem e praticarem o segredo da vida feliz: Aproveitar cada dia e vivê-lo como se fosse o último, apreciando cada momento, cada acontecimento por mais simples que seja, como ver no nascer do sol algo de extraordinário, digno de ser apreciado.

Stephen Hawking, conhecido como o homem da cadeira de rodas e que não consegue falar, tornou-se um reputado cientista e é uma das pessoas mais inteligentes do mundo, provando que “não se pode julgar um livro pela capa”. Jamais as limitações físicas tornaram a pessoa pior ou menos impressionante, como o provam muitas outras personalidades de que destaco Hellen Keller.

Verdade é que, perante as adversidades há quem opte por se tornar numa pessoa amarga, raivosa e triste e de viver morrendo. Mas há quem opte pelo contrário, pela vida, por ser feliz e aproveitar cada momento. Foi isto que o Né fez.

Antero Jorge, conhecido carinhosamente por Né, nasceu afetado pela “distrofia muscular de Becker”, doença rara, degenerativa, que leva a uma fraqueza muscular generalizada e que afeta sobretudo crianças do sexo masculino. Progressivamente e de forma irreversível, foi-lhe afetando o tecido muscular, limitando-o fisicamente, pouco a pouco, até o atirar para uma cadeira de rodas e um prolongado sofrimento.

Conheci o Né há mais de vinte anos quando veio trabalhar para o Lar da Misericórdia de Lousada, já apoiado em duas canadianas para se deslocar, mas revelando uma vontade enorme de ser útil. Sendo que a vida sem um propósito não tem esperança e a vida sem esperança não tem sentido nem fé, desde logo fez do trabalho na Instituição o seu propósito de vida. Nas limitações que a doença lhe ia impondo, podia ter escolhido entre o entregar-se ao desânimo, render-se e deixar-se derrotar, ou lidar com essas limitações da melhor forma possível, optando por aprender com a experiência e seguir em frente, assumindo a responsabilidade da própria felicidade. E foi isto que fez quando descobriu como é bom viver.

Nunca encarou a doença como uma sentença de morte em vida ou uma incapacidade para qualquer coisa, pelo contrário, não se privou de conduzir, conviver com os amigos, ir à bola, fazer o que gostava. A Misericórdia era o seu “paraíso”, o seu refúgio, o seu reino, porque ali sentia-se útil ao dar-se aos idosos, tinha uma missão que adorava.

Fez amigos, muitos amigos, nalguns casos “irmãos e irmãs que não de sangue”. Muitos deles entre os funcionários que o “adoptaram” no coração, denunciados agora pelos rostos banhados pelas lágrimas quando se fala do Né.

Sabemos que ele gostaria muito de andar, correr, jogar a bola e fazer outras coisas que lhe dariam prazer. Com a doença, as coisas são mais difíceis, mas não impossíveis pois quem determina até onde vão os nossos limites, é a nossa cabeça. Por isso valorizou o milagre de estar vivo (de que tanto nos esquecemos), a família, os amigos e a Misericórdia, encontrando a felicidade dentro de si.

Há imensas pessoas, de corpo perfeito e excelente saúde, que não conheceram nem conhecerão, metade da felicidade que o Né conheceu porque, a verdadeira deficiência é aquela que limita o ser humano por dentro e não por fora.

O Né partiu mas deixou-nos o grande legado do seu exemplo, uma lição de vida feita de coragem, amor e humildade contra o estigma da doença e das limitações que esta lhe quis impor. Mostrou como a vontade pode vencer o sofrimento, atravessando a fronteira da dor, tal como o maratonista para chegar à glória.

Na família, nos amigos e nos que o conheceram, fica a saudade, a dor e a tristeza da sua ausência, mas deve ficar também a certeza que viveu plenamente o tempo que lhe foi concedido.

Saibamos despirmos do nosso egoísmo, de não querermos suportar o sofrimento que cada um sente, tendo consciência de que, o início do nosso pela sua partida deve ser relevado pelo fim do seu, que terá sido violento e terrível nos últimos dias de vida. E reste-nos a consolação de que, à sua chegada ao Céu, foi recebido com uma festa de “arromba” organizada pelos Anjos, para celebrar o regresso de um… dos seus.

Chuva: Benção ou maldição?

Num dos primeiros anos da minha infância houve um longo período de seca que fez com que as reservas de água caíssem para níveis muito baixos, com as fontes que abasteciam a aldeia a deixarem de jorrar água e os poços a secarem. Apesar de alguns afundarem os seus, a água minguava e os lavradores viram algumas culturas perdidas.

Para ajudar, o pároco da freguesia resolveu juntar os fieis numa tarde de domingo e fazer uma oração de apelo ao Senhor para que a seca terminasse. Às tantas, dentro da igreja ouviu-se uma trovoada logo seguida de chuva abundante mas, como a oração ainda ia a meio, o padre continuou.

No entanto, a chuva que caía era tanta ou tão pouca que acabou por entrar pela igreja dentro, pondo os fieis em alvoroço e aos gritos. Com muita calma, o padre deu por terminada a prece, dizendo qualquer coisa do género: “Vamos embora porque o povo já está farto de água”.

É verdade que nos queixamos quando a chuva está muito tempo sem aparecer, especialmente aqueles que precisam de água, mas não é menos verdade que também nos queixamos do contrário, depois de cair alguns dias seguidos. Nunca estamos satisfeitos com aquilo que temos e cansamo-nos depressa.

As estações do ano já não são o que eram, sendo significativas as alterações como em invernos recentes, com tão pouca chuva que nem sequer deu para encher as albufeiras, agravados por verões dentro dessa linha, nada favoráveis para a agricultura nem para a produção de eletricidade e não só. E agora, cai-nos um inverno em cima a desfazer-se em água, parecendo mesmo que temos um penico gigante e furado em cima de nós, que nunca mais para de deixar cair água. Até quando?

As pessoas já estão fartas de chuva, fartas do vento que lhes levanta os telhados e lhes vira os chapéus pregando-lhes uma molha das antigas, fartas de se verem metidas em casa porque o tempo não os deixa sair à rua.

Mas não nos ficamos pelas molhas. Vemos regos de água, rios e riachos a saírem das margens e a inundarem campos, habitações, lojas e tudo o mais que lhe apareça no caminho, deixando populações em desespero, apesar de mais ou menos prevenidas pois em muitos casos as situações são cíclicas. Por tudo isto impõe-se uma pergunta: A chuva é uma bênção ou uma maldição?

Já sei que podemos dizer que a chuva é necessária mas que podia vir mais repartida, mais regrada, intercalada com períodos de sol. Já agora, porque não pedirmos “sol na eira e chuva no nabal”? Se calhar, adaptado aos novos tempos, o sol também podia inundar as praias os 365 dias do ano para banhos permanentes? E porque não incidir nas estradas para evitar os despistes? E já agora nas zonas de “picadeiro”, para se poder dar a voltinha do costume, ao domingo e à noite? E porque não nos campos de futebol, onde ver a bola à chuva só tem piada se o nosso clube ganhar e o rival perder? E nas ruas de comércio tradicional, porque assim estariam em igualdade de circunstâncias com os “shopings”? E porque não nas feiras, onde se já é difícil ser-se comerciante com bom tempo, com chuva e vento nem se fala?

E podia enumerar um sem número de exceções para a chuva que nunca mais tinha fim, porque no fundo, no fundo, quase só os agricultores é que a desejam a sério. Os outros, na sua maioria, só pensam nela se a água lhes falta na torneira ou no poço porque, se a água aparecesse lá de outra forma qualquer, queriam lá saber da chuva para nada.

Também é fácil culparmos a chuva de nos levar as casas, os carros, as árvores, os jardins, os animais, as barracas e tudo o que vai no arrasto. É que a chuva não fala para se poder defender porque se falasse diria: “Não se colocassem a jeito, não construíssem onde não deviam, especialmente nas linhas de água, não pavimentassem tantas áreas impedindo que eu me infiltre no solo e assim tenha de correr à superfície provocando enxurradas tanto maiores quanto maior for a área pavimentada, não deixassem que os incêndios acontecessem deixando os solos nus, não cultivassem onde não deviam e não… não… não”…

A chuva é um fenómeno natural que, há muitos anos atrás, tinha uma certa sazonalidade, chegando nas estações próprias. Mas o ser humano resolveu brincar com a natureza, armado em “aprendiz de feiticeiro”, poluindo a terra, a água e o ar sem qualquer controle, destruindo os ecossistemas, explorando recursos até à exaustão, alterando os elementos que condicionam o clima e que faziam deste planeta um local privilegiado. Por isso, o que é que esperamos?

Sempre fomos brindados com temporais e outras manifestações violentas da natureza mas, ao alterarmos o equilíbrio natural e as regras que mantinham em equilíbrio esta bola chamada Terra, estamos a abrir a “caixa de Pandora”. Daí os tornados que nunca havíamos visto por cá, as alterações climatéricas e o que mais adiante se verá, diz quem sabe.

O ditado é velho: “Quem semeia ventos, colhe tempestades”. E, provavelmente, nós ainda não vimos “da missa a metade”…

A COUVE é galega, mas o CALDO é nosso

Um dia regressei da escola com uma dor na zona abdominal, mais ou menos na “boca do estômago”. A minha avó que estava por perto disse logo: “Deves ter a espinhela caída”. E vai daí, mandou-me sentar num banquinho com as pernas esticadas. Colocou-se por detrás de mim, agarrou-me as mãos pelos dedos polegares, descreveu com elas um longo arco para cada lado e elevou-as por cima da minha cabeça esticando-me os braços e colocando os dois dedos lado a lado. “Cá está, tens a espinhela caída” disse-me ela, mostrando-me os dois dedos a par, mas um mais acima do que o outro.

Então, procedeu ao tratamento começando por me fazer um conjunto de exercícios com os braços, cruzando-os e esticando-os, até que voltou a fazer o exame e os dedos passaram a estar nivelados. Para o completar, disse à minha mãe que tinha de fazer uma pequena panela de caldo verde com três gorduras diferentes (porco, vitela e frango) e colocar-lhe um molhe de ervas que apanhara no quintal, com a indicação de que eu tinha de comer tudo e não fazer qualquer esforço.

Na verdade, dos esticões ou do caldo verde, a dor desapareceu e não voltei a ter a “espinhela caída. Mas o caldo verde, culpado ou não desse milagre medicinal, soube-me “pela vida”.

Ainda não era aluno da escola primária e já andava no quintal dos meus pais com a enxada na mão, a rapar a erva e o estrume que fora espalhado pelo senhor Moura, para  dentro do rego que ele ia abrindo à minha frente. Em cima do “rapão”, colocava as metades de batata com um bocadinho de cinza à volta (tempos difíceis), cobertas depois com a terra do rego seguinte. Era nesses regos que, com regularidade, também se plantavam as couves galegas.

Nesse tempo, a couve galega era a hortaliça mais vulgar e existia em todos os quintais durante o ano inteiro. Todos os dias se colhia um braçado de grandes folhas, sendo importante na alimentação das pessoas e dos animais.

Se as melhores folhas se destinavam ao caldo (verde ou farrapado), as mais amarelas e os restos iam para as galinhas e porcos, num aproveitamento total. Os “troços” (caules) das couves arrancadas eram os “sticks” dos jogos de hóquei com outros miúdos da vizinhança, sendo o ringue o caminho e a bola uma pedra.

A couve galega consumia-se diariamente pois o “caldo”, com um naco de broa, era (quase) a única comida da maioria das pessoas dessa época.

Com o decorrer dos anos esta couve passou a ser menos cultivada, substituída por outras hortaliças consideradas mais ricas (e mais sofisticadas), até (quase) desaparecer dos nossos quintais e das nossas mesas. E até o Caldo Verde foi deixando de fazer parte do cardápio do nosso dia a dia e passou a ser algo de “pitoresco e folclórico”, só servido no final de uma sardinhada, de uma patuscada ou às tantas da noite numa qualquer boda.

Mas fizemos mal, pela simples razão de que o Caldo Verde, uma das sete maravilhas gastronómicas do nosso país , típico do norte de Portugal mas divulgado em todo ele, é tido como um dos cozinhados nacionais melhores para a saúde, inclusive na prevenção do cancro. E porquê, pergunta-se?

Segundo um médico inglês “É mais importante sabermos o volume de m… diário de uma pessoa do que o valor do seu açúcar ou o colesterol, pois uma boa parte da nossa saúde é diretamente  proporcional ao volume da dita cuja”. E continua dizendo que “tendo em conta a importância desse volume, uma alimentação rica em fibras que não chegam a ser absorvidas pelo intestino e saem praticamente intactas nas fezes, aumentando assim o volume fecal e eliminando a prisão de ventre, evita um conjunto de doenças do reto, ataques do coração, hemorroidal e apendicites agudas, entre outras”.

Ora, o caldo verde é rico nas tais fibras não reabsorvíveis e depois, porque também o é em vitamina A, C, complexo B, cálcio, ferro e muitos outros elementos importantes, para além de ter poucas calorias. E quase todas estas características lhe advêm da couve galega, um legume extraordinário que fomos “encostando” ao longo dos anos, sem nenhuma razão especial.

E volto a esse médico precisamente porque ele considera a couve galega (e o Caldo Verde) um legume excepcional que deveria ser consumido com frequência, pela sua riqueza nas tais fibras e a sua importância para o trânsito intestinal.

Por isso, meus caros, para “endireitar a espinhela” ou simplesmente para que o nosso “trânsito intestinal” seja tão fluido como nas autoestradas que se plantaram no interior do país, vamos voltar a fazer do Caldo Verde (com um fio de azeite cru) uma benesse do dia a dia, sem ter de esperar pela sardinhada ou outro ajuntamento qualquer, fazendo honras a essa couve que, sendo galega de nome, é bem portuguesa.

Um furo no…buraco

Estava cá a “matutar” com os meus botões tentando descobrir qual é a diferença entre um furo e um buraco. É que, pelo que dizem as televisões  (e o bolso da gente), estamos metidos num buraco. Ou será num furo? Se for num buraco “estamos na fossa”, se for num furo “estamos entalados” pois tenho a sensação de que um furo é mais apertado, enquanto um buraco é maior, mais largo. Mas, se estamos na “fossa” e “entalados”, provavelmente estaremos metidos nos dois.

Certo é que todo o furo é um buraco mas o contrário, não. E um furo pode virar buraco mas um buraco não vira furo.

O furo é propositado. Na orelha, no lábio, no nariz e no umbigo (ou noutra parte mais íntima do corpo), torna-se enfeite, acessório em função do visual ou da extravagância. Mas se for buraco no corpo, natural, é uma espécie de porta, para entrada ou saída, do quê não interessa.

Se é na roupa, um furo é moda, feitio, enquanto um buraco significa desleixo, desmazelo, até porque basta passar o fio no buraco da agulha e, com pequenos furos, remenda-se o buraco.

Quando alguém diz “tenho um furo”, é um problema se for no pneu. Mas, se é jornalista, pode ser sinal de coisa boa, de quem conseguiu uma notícia em primeira mão.

Os buracos podem atingir grandes dimensões, como os “buracos no orçamento” ou o “buraco do ozono”. Maiores ainda, são os buracos negros que atraem para o seu interior tudo o que lhes passa por perto, como aquele buraco negro que a comunidade científica está a acompanhar com atenção porque, nas próximas semanas, vai “engolir” uma nuvem de gás três vezes maior que a Terra, a sua maior refeição que se conhece.

”Eu caí num buraco” era a frase que todas as mulheres de uma cidade interior do Brasil diziam ao padre na confissão, sempre que traíam o marido, e toda a cidade sabia desse estratagema. Um dia, o velho padre e confessor morreu e foi substituído por um padre jovem. Sem saber de nada, ao ouvir as mulheres confessarem que “tinham caído no buraco”, na sua ignorância dizia-lhes que não era pecado, que nada tinha a perdoar. Mas, de tanto o ouvir na confissão, foi falar com o prefeito (presidente da Câmara): – Prefeito, o senhor precisa de cuidar melhor das ruas. Elas estão cheias de buracos.

O prefeito, que sabia da história, desatou a rir à gargalhada. – E o senhor ri? – pergunta o padre em tom ofendido. E, para reforçar a sua reclamação, acrescentou: – Só a sua mulher esta semana já caiu cinco vezes no buraco…

Aliás, falando em buracos, com certeza o tal prefeito não tinha o costume de espreitar pelo “buraco da fechadura” (como faz meio mundo, porque o outro meio espreita do outro lado) pois, se o tivesse feito, estaria muito mais bem informado…

Apetece perguntar, porque será que qualquer orifício, seja furo ou buraco, humano ou não, cai sempre na graça dos pervertidos?

Existem buracos lindos (e nada tem a ver com o que disse na frase anterior), motivo para fazer turismo. Eu próprio gostaria muito de visitar o Grande Buraco Azul, no Atol do Recife Lighthouse, em Belize. Pelas imagens, é espetacular. Daí que, não podemos dizer que todos os buracos são feios, algo de que se não goste.

Agora temos os furos de água, que vieram substituir os antigos poços artesianos, para captar a água a maior ou menor profundidade, profundidade que é importante num buraco mas poucas vezes num furo.

Ao percorrermos muitas ruas e estradas, convém não andarmos de “nariz no ar” para não cairmos num qualquer buraco onde, se é importante a profundidade, não deixa de o ser mais o seu comprimento. É certo que algumas vias só têm um único buraco mas… o fundo é que é muito extenso e rugoso.

Um furo na escola, é sinal de folga, mas se for numa conduta pode dar origem a um grande buraco na estrada. Um furo é provocado, quase sempre redondo e não precisa de fundo mas, um buraco, é natural, tem milhentas formas e tem fundo. É assim que um buraco na estrada pode provocar um furo no pneu mas já não se vê como é que um furo no pneu possa originar um buraco na estrada.

Foi num grande buraco de uma estrada rural, cheio de água e lama, que o carro de um casal citadino se atolou, quando andavam a passear pelo campo. Depois de muito tentativas falhadas para o fazer sair dali, só seria retirado do buraco quando apareceu um agricultor com uma junta de bois e deu a ajuda necessária. – “Sabem, é o décimo carro que tiro hoje deste lamaçal”, disse o agricultor na sua simplicidade.

“Sendo assim, não faz outra coisa. Afinal, quando é que trabalha na quinta? À Noite?” – perguntou o dono do carro, com ar de gozo. – “Não, à noite não porque é quando ponho água no buraco para os pacóvios se atolarem…”.

Há quem esteja disposto a ajudar a resolver problemas mas também há quem passe o tempo a tornar a vida dos outros mais difícil. Talvez seja o seu dia de ajudar alguém a resolver problemas. Aproveite, mas não adicione água no furo, muito menos no buraco…

Quanto a nós, povo lusitano, já não corremos o risco de “cair num buraco sem fundo” porque… já lá estamos há muito. E a única saída que nos resta é fazer um furo… no buraco.