Está mais que provado que muitas pessoas se casam por interesse. Seja por dinheiro, beleza ou até mesmo pelo facto da outra pessoa fazer tudo em casa, existem diversos motivos que levam muita gente a esquecer o amor e a paixão e, simplesmente, a pensar mais nelas próprias e na sua comodidade. Também dizem as pesquisas e todo o tipo de inquéritos que a aspiração feminina de casar bem, com um homem mais graduado e com um rendimento bem maior que o dela persiste na maioria dos países europeus. As mulheres continuam a usar o casamento como uma boa alternativa à carreira. Ora, uma pesquisa recente comparada com dados de uma outra realizada em 1940, concluiu que hoje, mais do que na época desse inquérito, uma maior percentagem de mulheres quer encontrar um homem rico que as sustente. Aliás, o mesmo se pode dizer dos homens que fazem “pontaria” a mulheres financeiramente muito melhor que eles, por uma questão de “solidariedade”, para as “ajudar” a “consumir o cacau”. Há cá um que já vai na terceira e tem dado conta do recado …
Mais de metade dos americanos admitem que dão prioridade a uma boa situação financeira na escolha de um parceiro para casar em vez de procurar o amor romântico. E o padrão para conferir qualidade ou não ao candidato é o valor anual do seu rendimento traduzido em dólares, sendo que o número ideal hoje deve aproximar-se ou atingir mesmo os sete dígitos, isto é, um milhão de dólares por ano. Outrora, as pessoas que procuravam alguém com base na situação económica tentavam fazê-lo de forma “discreta” para que o seu parceiro (ou parceira) não se apercebesse das suas intenções. É que não dava para “ficar bem na fotografia” se tais intenções “caíssem na praça pública” e fossem do conhecimento geral. Mas, “marido rico” virou termo popular nas buscas sobre relacionamento e dinheiro. As buscas por um marido rico já não são novidade. Basta observar redes sociais, reality shows, fóruns e até pesquisas no Google, para perceber que dinheiro e relacionamento continuam profundamente ligados. Ali, termos como “marido rico”, “como casar com homem rico” e “homem rico solteiro” apresentam volume constante nas buscas.
Uma mulher jovem escreveu ao Financial Times – um dos maiores jornais do mundo, especializados em negócio e economia – a pedir dicas sobre “como arranjar um marido rico”. Contudo, muito mais inacreditável que o pedido da rapariga, foi a resposta do editor do jornal que, muito inspirado, respondeu à sua mensagem, de forma irónica e muito bem fundamentada em termos económicos. Vale a pena ler porque a resposta do editor é extraordinária. Dizia a carta: “Sou uma mulher linda (maravilhosamente linda) de 25 anos de idade. Sou bem articulada e tenho classe. Quero casar com alguém que ganhe, no mínimo, meio milhão de dólares por ano. Há algum homem que ganhe 500 mil dólares ou mais nesse jornal ou alguma mulher casada com alguém que ganhe isso e que me possa dar algumas dicas? Já namorei com homens que ganham por volta de 200 a 250 mil dólares, mas não consigo passar disso. E, 250 mil por ano não me vão permitir morar em Central Park West. Conheço uma mulher (do meu grupo de ioga) que casou com um banqueiro e vive em Tribeca! E ela não é tão bonita como eu, nem sequer é inteligente. Então, o que foi que ela fez que eu ainda não fiz? Qual é a estratégia correta? Como posso chegar ao nível dela?” E assina: Raphaella S.
A resposta foi dada e publicada por Philip Stephens, editor associado do jornal Financial Times:
“Li o seu pedido com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação. Primeiramente, eu ganho mais de 500 mil dólares por ano. Portanto, não estou a tomar o seu tempo à toa … Posto isto, considero os factos da seguinte forma: Visto da perspetiva de um homem como eu (que tenho os requisitos que procura), o que me oferece é, simplesmente, um péssimo negócio. Eis o porquê: deixando o convencionalismo de lado, o que sugere é uma negociação simples, proposta clara, sem entrelinhas: Você entra com a beleza física e eu entro com o dinheiro. Mas há um problema. Com toda a certeza, com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia vai acabar, ao contrário do meu dinheiro que, com o tempo, continuará a aumentar. Assim, em termos económicos, você é um ativo que sofre depreciação enquanto eu sou um ativo que rende dividendos. Você não somente sofre depreciação, mas também sofre uma depreciação progressiva, ou seja, sempre a aumentar! Explicando melhor, você tem hoje 25 anos e deve continuar linda pelos próximos 5 ou 10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. E, no futuro, quando se comparar com uma fotografia de hoje, verá que se transformou num caco. Isto é, hoje você está em “alta”, na época ideal para ser vendida, mas não de ser comprada. Usando a terminologia de Wall Street (Bolsa de Valores de Nova Iorque), quem a tiver hoje deve mantê-la como “trading position” (posição para comercializar) e não como “buy and hold” (comprar e manter), que é para o que você se oferece. Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um “buy and hold”) consigo não é um bom negócio a médio/longo prazo! Mas alugá-la, sim! Assim, em termos sociais, um negócio razoável a ponderar é namorar. Sem ponderar …
Mas, já a ponderar e, para me certificar do quão “articulada, com classe e maravilhosamente linda” você é, eu, na condição de provável futuro locatário dessa “máquina”, quero tão somente o que é da praxe: fazer um “test drive” antes de fechar o negócio … podemos marcar?”
Esta história publicada no Financial Times, revela o conflito entre amor, interesse financeiro e valor pessoal, mostrando que tratar casamento como investimento pode transformar pessoas em ativos e relações em contratos emocionais frágeis. Ela só queria uma coisa: um marido rico. Mas o que ela não esperava era uma resposta fria, matemática e brutal, que transformaria o amor numa equação financeira E, mais do que uma anedota, esta história revela algo muito profundo sobre o mercado do amor contemporâneo …