Num mundo desigual, há razões para celebrar a vida …

Somos mais de dez milhões e meio de portugueses neste nosso país à beira-mar plantado o que é muita gente para alimentar, vestir, calçar, educar, tratar da saúde, mandar de férias e até viver de subsídios. E aqui temos pobres, remediados, ricos e alguns (poucos) muito ricos.  

Mas, se olharmos para todo o planeta Terra, para este mundo que conhecemos e de que fazemos parte, são “somente!” um pouco mais de 8 biliões (para melhor percebermos o que isso é, aí vai o número: 8.000.000.000. Um susto)! E no planeta há mesmo de tudo: muito pobres, pobres, remediados, bem de vida, ricos e muito ricos. Mas aqui há um enorme absurdo que nos diz bem o estado dessa sociedade global: do grupo muito restrito dos tais “muito ricos”, também conhecidos por “multimilionários”, há 26, e repito, somente 26, que são possuidores de mais riqueza do que os 4.000.000.000 (quatro mil milhões) de almas mais pobres do planeta, isto é, cerca de metade da população mundial, que vivem com rendimento diário entre 1,6 euros e 8,1 euros. Alguém consegue imaginar como é possível? Se estes 26 marmanjos se quiserem sentar à volta de uma mesa, quem os impede de talhar o mundo à fatia e distribuí-lo entre eles? É a maior desigualdade da história da humanidade e a tendência é para que os ricos fiquem cada vez mais ricos. E, como em regra não sabem parar, transformam o poder económico em poder político, corroendo as democracias e usando-o então para aumentar a sua riqueza. É um problema central da política: os privilegiados adquirem progressivamente o poder de aumentar os seus privilégios.

A realidade nua e crua é que, no mundo em que vivemos há muita gente verdadeiramente pobre, sem acesso a eletricidade, água potável e canalizada, cuidados de higiene e saúde, educação e a um rendimento minimamente aceitável para sobreviver. E sobrevivem, quando sobrevivem! Uma realidade que tantas vezes nos escapa e que ignoramos no dia a dia das nossas lamentações, reclamações, contestações e exigências. Ora, esta gigantesca desigualdade entre muito ricos e muito pobres que vemos, sobretudo a nível mundial e que vai aumentar, que pôs na mão de 26 pessoas uma riqueza igual à dos 4 biliões de mais pobres do planeta é inconcebível! Em pleno século XXI, não é de todo aceitável que haja manifestações trágicas de pobreza e miséria com a dimensão que sabemos existir, mas de que tantas vezes não temos plena consciência. O combate a desigualdade tão grande deveria ser uma necessidade ética urgente e imperiosa, pois o básico, numa sociedade civilizada, não pode faltar a ninguém e muito menos às crianças que não têm nenhuma responsabilidade pelo caos em que são jogadas. Não é uma questão de esquerda e direita, mas sim da elementar decência humana. Mas, infelizmente, não faz parte da agenda política das grandes potências mundiais nem de muitos outros líderes por esse mundo fora, tantas vezes mais preocupados com as suas agendas pessoais, com as suas guerras e esquecendo os que nada têm. Embora a desigualdade na Europa seja elevada, não tem nada a ver com a situação extrema da desigualdade a nível mundial, o que não deixa de ser preocupante. Esperemos que um dia destes os governantes, incluindo os de Portugal, tenham políticas que reduzam este fenómeno, bastando copiar alguns bons exemplos europeus, até porque os países menos desiguais, como é a Dinamarca, são mais pacíficos e mais equilibrados. Não se trata de distribuir armas, mas sim de equilibrar recursos.

Claro que devemos lutar por melhores condições de vida, trabalhar para tentar que se concretizem, revindicar quando se tratarem de injustiças relativas, mas, quando for caso disso, também celebrar e até mesmo agradecer tudo aquilo que já temos e milhões de almas por esse mundo fora não têm.                                                                                                                    Comparativamente com a população mundial e a título de exemplo:

Se tem 65 anos ou mais, deveria estar feliz e agradecido porque, nas condições atuais, em cada 100 pessoas neste planeta você é um dos 8 felizardos que tem a sorte de estar vivo. Se você não deixou este mundo antes dos 65 anos como 92% de pessoas que partiram antes de si, você já é abençoado entre a humanidade. Por isso, aprecie ao máximo a sua vida, aproveite cada momento do hoje e seja feliz. Cuide bem da sua saúde porque ninguém se importa mais de si do que você! Aprecie e viva cada momento restante com paixão! Quando somos um dos sortudos que já vivem há mais de 65 anos, não podemos ficar à espera de ter tudo para aproveitar a vidaE então, se chegarmos aos 81 como eu cheguei e que é a média da esperança de vida em Portugal, mais razões temos para festejar e estar gratos. 

Mas, para terminar as comparações à escala mundial: Se você tem casa própria, come 3 refeições completas por dia, bebe e tem água potável canalizada, tem carro próprio, telemóvel, pode aceder e navegar na internet, tem assistência social e de saúde, não está num país de alto risco ou elevados níveis de crime, tem ensino gratuito até ao 12º. Ano de escolaridade, você está num minúsculo lote de privilegiados, numa categoria inferior a 7% da população mundial, isto é, em cem pessoas, você é uma das 7 felizardas. Por isso goze e aproveite bem cada momento, como se este fosse o último dia da sua vida! Pois é certo que um dia destes você vai acordar morto e que seja um morto feliz …